Fiquei muito grata a uma amiga minha que me deu permissão para usar um trecho de seu diário pessoal. Neste trecho, ela descreve sua jornada para descobrir alegria e paz em meio a uma provação profunda e dolorosa. Suas palavras me lembram as palavras de Pedro a respeito da alegria indizível e gloriosa. Ela escreveu o seguinte:
“Quando confirmado o diagnóstico de câncer de mama, lembro-me que fiquei muito triste e chateada com Deus por ter que enfrentar a possibilidade de não poder ver meus filhos crescerem, se tornarem adultos. Fiquei muito triste e deprimida porque, de repente, a história que Deus estava escrevendo para mim era totalmente diferente da história que eu havia escrito.
Na minha história, estava envelhecendo com o meu marido e vendo que tipo de adultos meus filhos seriam, inclusive, vendo a escolha de carreira e de esposa. Eu tinha alguns roteiros de netos curtindo a aposentadoria com meu marido, todos muito bem escritos e preservados para edição e aperfeiçoamento com o passar do tempo.
Mas, de repente, tive que enfrentar a realidade que a minha vida talvez não coincidisse com a história que eu havia escrito. Eu só percebi que havia escrito esta história quando o desânimo apareceu junto com as discrepâncias! Descobri que havia escrito esta história quando estava examinando minha alma para descobrir porque estava tão assustada e triste.
Lembro-me de ter pensado: se tivesse de encarar a morte tão cedo na vida e não visse meus filhos crescerem; se tivesse de amparar meus filhos e meu marido quando me vissem morrendo, como seria possível sentir alegria outra vez? Como seria possível ter paz nesta situação? Eu odiava esta história! A minha era muito melhor!
Foi durante esta época que senti que Deus estava me perguntando se eu receberia Sua alegria e paz, apesar das circunstâncias. Ele parecia dizer: “Você achava que minha promessa de alegria e paz era só se as circunstâncias se encaixassem em seus planos? Você acha que sou pequeno demais para lhe dar alegria e paz, mesmo nesta situação? Você está disposta a receber alegria e paz das minhas mãos, mesmo se eu tirar você de sua família?
Ai, ai! Eu tive que pensar longa e duramente sobre isto! Se eu era incapaz de sentir e experimentar alegria e paz, seria porque eu era muito teimosa? Seria porque eu estava com muita raiva de Deus por ter alterado o meu plano – o meu perfeito roteiro de vida? Entendi que cooperar com Deus e aceitar Seu roteiro era um passo necessário para receber Sua alegria e Sua paz.
Deus nos oferece alegria e paz que vão além de todo o entendimento humano. Está sempre disponível a nós, mas muitas vezes nós nos contentamos com muito menos. Podemos descansar na fidelidade de Deus, apesar das circunstâncias. Ao abraçarmos Seu roteiro e concordar em colocar Seu Reino em primeiro lugar, mesmo na mais escura circunstância, Ele nos encherá com Ele mesmo e encherá nossos corações com alegria e paz, o que é impossível explicar!
Isto não quer dizer que tenha de me sentir “feliz” sobre o fato de perder minha família. Quer dizer que Deus é capaz de me encher plenamente para aliviar a dor de sonhos e esperanças perdidas. Vou permitir que Ele faça isso em todas as áreas de minha vida?
“Mais alegria me puseste no coração do que a alegria deles, quando lhes há fartura de cereal e de vinho” (Salmo 4.7).
Marnie Carlson – extraído do livro “Desfrutando a intimidade com Deus” que será lançado em setembro no Congresso de Esposas!